domingo, 15 de junho de 2008

Eu

Eu sou mais um menino perdido.
Caído, vadio.
Eu. Mais um sonho vendido.
Caiado, ardido.
Uma lágrima gasosa.
Alma sem dito.

Eu sou a utopia.
Coréia, falida.
Eu. A falha da cordotomia.
Pecatifobia, invalida.
A ingenuidade da solércia.
Juventude que não veio ainda.



Eu sou o fracasso.
Incompetência, incongruência.
Eu sou sua saída, pela tangente.
O amanhã de ontem.
Algum resto de responsabilidade.
O último respiro de um morto-vivo.

O que é o uai



O que é o Uai? O uai é primo primeiro do uê e cumpadre do trem, conterrâneo do “comeno”, “minino”, “andano”. Quer saber mesmo? Eu sei lá o que é Uai. Uai é uai, uai?! Não me pergunta o que eu não sei responder.

O significado do uai é parecido com o que Cecília Meireles da a liberdade: Uai é uma palavra pequena que não há um mineiro que explique ou nenhum que não entenda. Bem, é lógico que ela não falou isso, mas eu falo. Quem sou eu? Eu sou uma mineira uai?!

Uai é atestado de mineirice. O uai faz parte do arsenal-liguistico do mineiro para sobreviver no emaranhado de diferentes culturas que é o Brasil.

Todo não mineiro, ao chegar a Minas, consegue facilmente falar “minino”, com algum custo fala trem, mas abominam o Uai, coitado, em vão, pois o uai penetra nas entranhas, aloja-se no lado esquerdo do peito como um vírus superdeterminado e, de repente alguém pergunta: Vai beber o quê? Pão de queijo. Tem que ser com café uai?! Ele engole seco.

Agora, sim, é um mineiro, conseguiu se redimir do pecado de não ter nascido em minas. Porque Deus é mineiro. Uai, c num sabia?!